MARANHÃO

Suspeito de agredir doméstica grávida no MA a mando da patroa é PM e se entrega à polícia

Policial identificado responde a procedimento na Corregedoria; empresária investigada no caso já foi presa.

O policial militar Michael Bruno Lopes Santos, suspeito de participar das agressões contra uma doméstica grávida de 19 anos, se entregou à polícia nesta quinta-feira (7). Ele teve a prisão preventiva decretada pela Justiça em investigação sobre o caso ocorrido em Paço do Lumiar, na Grande São Luís.

A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos foi presa na manhã desta quinta-feira (7), em Teresina, no Piauí. Nas redes sociais, o governador informou ainda que o policial responde a procedimento instaurado pela Corregedoria da Polícia Militar do Maranhão (PMMA)

Na quarta-feira (6), equipes da Polícia Civil foram à casa da empresária para intimá-la a prestar depoimento, mas ela não havia sido encontrada. No local, havia apenas uma funcionária que, segundo a polícia, foi chamada às pressas para assumir o serviço.

O caso é investigado pela 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagy, após a vítima registrar um boletim de ocorrência. Ela afirmou que foi agredida depois de ser acusada de roubar joias da ex-patroa.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, a advogada Nathaly Moraes, que representa Carolina Sthela, afirmou que o mandado de prisão preventiva foi cumprido em Teresina e que a investigada irá responder pelo caso.

“Ela vai responder nos termos e vai cumprir as medidas judiciais que lhe foram impostas e a defesa segue atuando. Ela foi presa em Teresina e o mandado de prisão está sendo cumprido neste momento”, afirmou a advogada Nathaly Moraes.

Segundo a defesa, Carolina estava no Piauí com o filho de 6 anos, por não ter familiares no Maranhão para deixar a criança. Por isso, teria levado o menino para ficar sob os cuidados de pessoas de confiança.

Doméstica foi ameaçada de morte

A jovem descreveu as agressões que sofreu. Segundo ela, levou puxões de cabelo, socos e murros e foi derrubada no chão. Durante os ataques, tentou proteger a barriga, pois está grávida de cinco meses.

Ainda de acordo com o depoimento, a ex-patroa a acusou de ter roubado uma joia e passou horas procurando o objeto. O anel foi encontrado dentro de um cesto de roupas sujas.

Mesmo após a joia ser localizada, as agressões continuaram, segundo a vítima. Ela afirmou ainda que, em determinado momento, foi ameaçada de morte por Carolina Sthela caso contasse à polícia o que havia acontecido.

“Começou com puxões de cabelo. Eu fui derrubada no chão e passei boa parte do tempo ali. Foram tapas, socos e murros… foi sem parar. Eles não se importavam”, disse a jovem.

No depoimento, a jovem relatou ainda que um homem, não identificado, participou das agressões. Segundo ela, o suspeito foi até a casa para pressioná-la com violência. Ela o descreveu como “alto”, “forte” e “moreno”.

Procurada pelo g1, a empresária Carolina Sthela afirmou, por meio de nota, que colabora com as investigações e que apresentará sua versão no momento oportuno. Ela também declarou que repudia qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres e pessoas em situação de vulnerabilidade, e pediu que não haja “julgamento antecipado” enquanto o caso é apurado (veja mais abaixo a nota na íntegra).

Doméstica diz que recebeu R$ 750 e cumpria jornada de quase 10 horas com acúmulo de funções

OAB pede prisão de patroa que agrediu doméstica grávida no MA; entidade classificou crime como tortura — Foto: Reprodução/Redes sociais/TV Mirante

A jovem, de 19 anos, afirmou que recebeu R$ 750 por pouco mais de duas semanas de trabalho na casa da empresária. Segundo ela, acumulava funções e trabalhava quase 10 horas por dia.

g1 teve acesso ao depoimento da jovem, prestado nessa quarta-feira (6). Ela detalhou a rotina de trabalho na casa da ex-patroa.

Entre as atividades que deveriam ser feitas pela jovem, estavam limpar a casa, cozinhar, lavar e passar roupas, além de cuidar de uma criança de seis anos, filho da ex-patroa. O pagamento foi feito de forma fracionada, por meio de transferências em nome de terceiros.

De acordo com a vítima, o primeiro contato com a empresária ocorreu por um aplicativo de mensagens, no início de abril. Na ocasião, foi oferecido um mês de trabalho e marcado um encontro na residência.

A jovem disse que começou a trabalhar sem combinar o salário. Segundo ela, a jornada era de segunda a sábado, das 9h às 19h, com apenas 30 minutos de intervalo.

FONTE: G1

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