Santos tem dívida de R$ 90,5 milhões com Neymar e coloca CT da base como garantia
Aditivo no contrato entre clube e a empresa da família do craque reconhece valor e estipula pagamento até 2030; reeleição de Teixeira é condição para manter parcelamento do débito
O Santos reconhece ter uma dívida no valor de R$ 90,5 milhões com a NR Sports, empresa da família de Neymar. O débito está estipulado em um aditivo contratual assinado no fim do ano passado entre as partes, como parte da renegociação do valor devido pelo clube referente aos direitos de imagem do camisa 10.
Segundo o documento, publicado pelo “Diário do Peixe” e ao qual o ge teve acesso, o pagamento será dividido em duas partes:
R$ 26 milhões do contrato vencido em parcelas de R$ 5,2 milhões entre janeiro e maio deste ano, sem correção monetária;
R$ 64,5 milhões restantes do atual compromisso em 43 parcelas de R$ 1,5 milhão a partir de junho deste ano, com correção na variação do IPCA/FGV.
Neymar tem contrato com o Peixe até 31 de dezembro de 2026. De acordo com o plano de pagamento estipulado, o saldo será quitado no início de 2030.
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A reportagem procurou a NR Sports, que, em resposta, disse “não ter nada a declarar” sobre o assunto. O Santos, por questões de confidencialidade do contrato, decidiu não tecer comentários.
No documento, a NR Sports diz que o atraso de uma parcela obrigaria o Santos a ter que arcar com os R$ 64,5 milhões à vista.
Outras condições são impostas pela empresa, como a reeleição de Marcelo Teixeira no fim do ano e o futuro do clube como SAF.
A permanência de Teixeira no Santos está relacionada ao temor da empresa de não receber o valor de outro gestor – as eleições no clube estão marcadas para o fim do ano.
Caso o clube vire uma Sociedade Anônima, a obrigação do pagamento será repassada aos acionistas.
No aditivo, que tem o reconhecimento do Comitê de Gestão e assinaturas de representantes do Santos e da NR Sports, o Santos colocaria o CT Meninos da Vila como garantia jurídica para o cumprimento da dívida.
A prática de usar o patrimônio como garantia de pagamento não é inédita no futebol.
Em 2015, por exemplo, uma dívida de pouco mais de R$ 2 milhões do clube com Pelé penhorou a Vila Belmiro.
Quatro anos depois, o Santos ofereceu o estádio para a penhora por uma dívida de R$ 6 milhões com o fundo de investimentos Teisa. A ação foi rejeitada pela Justiça.
Recentemente, o Internacional também colocou o CT como garantia de cobrança por um débito por um empresário envolvido na contratação do chileno Palacios. A Justiça também rejeitou.
