Professores da rede estadual do Ceará têm 4º maior salário inicial do NE; veja valores
A remuneração inclui gratificações recebidas por toda a categoria.
Avanços na valorização de uma das categorias profissionais mais importantes em todo o mundo têm refletido no Ceará: professores da rede estadual de ensino cearense recebem o 4º maior salário inicial do Nordeste. O dado é de estudo do Movimento Profissão Docente, com base em 2025, divulgado nesta semana.
A pesquisa aborda os planos de carreira e remuneração do magistério nas redes estaduais brasileiras no ano passado, e analisa aspectos como a estruturação das jornadas de trabalho, as chances de crescimento e os desafios para a valorização prática da categoria.
O salário, então, é ponto central do estudo, que considera as remunerações iniciais e finais, com e sem gratificações. No Ceará, o salário-base inicial para jornada de 40 horas semanais é de R$ 4.961,73, pouco acima do piso nacional (R$ 4.867,77).
Na rede estadual cearense, esse valor é o mínimo que qualquer docente deve receber. Isso porque, no Estado, as gratificações são itens permanentes e obrigatórios do salário, recebidos por todos os profissionais, como explica a Secretaria Estadual da Educação (Seduc).
Assim, o valor apresentado na pesquisa como “remuneração inicial sem gratificações” do Ceará é, na verdade, apenas a base do que é pago aos docentes. Em nota, a Seduc informa que a remuneração inicial dos professores é formada por três componentes obrigatórios:
Vencimento-base (R$ 4.961,73);
Gratificação de Regência; e
Parcela Variável de Redistribuição (PVR).
São itens “permanentes, incorporáveis e contam para a aposentadoria. Não se tratam de gratificações temporárias ou condicionadas”, acrescenta a Pasta.
Em 2025, o perfil salarial da rede estadual cearense, composta por 13 mil professores efetivos e ativos, segundo a Seduc, era assim:
12% dos professores são licenciados, com remuneração média de R$ 7.140,15;
58% são especialistas, com remuneração média de R$ 11.416,29;
30% são mestres ou doutores, com remuneração média de R$ 14.818,14.
O estudo cita ainda que o rendimento médio dos professores da rede estadual cearense equivale a 96% do valor que pessoas de outras profissões com ensino superior recebem. Essa equiparação de salários é a meta 17 do Plano Nacional de Educação (PNE).
Maria Cecília Gomes, diretora de Políticas Públicas do Movimento Profissão Docente e doutora em administração pública e governo, explica que o estudo diferencia a remuneração inicial da carreira e a soma com gratificações, mas aponta que “o Ceará tem gratificações extensíveis a todos os professores, então, na prática, todos recebem esse valor (com acréscimo)”.
Um dos desafios da rede local e de outros estados em relação à remuneração, por outro lado, é mudar o formato de pagamento de vencimento para subsídio. No primeiro, em resumo, as gratificações não entram no cálculo para aposentadoria; no segundo, são contabilizadas, conferindo mais segurança previdenciária aos docentes.
“Na educação, só seis redes adotam a remuneração por subsídio. Isso dá maior transparência, consolida o salário em parcela única”, explica a diretora. A Seduc, contudo, garante que as gratificações dos docentes cearenses integram, sim, o cálculo previdenciário.
