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Hamas diz que ataque terrorista de 7 de Outubro foi ‘resposta histórica’ a Israel

Hamas diz que ataque terrorista de 7 de Outubro foi ‘resposta histórica’ a Israel

O grupo terrorista palestino Hamas afirmou que o ataque terrorista de 7 de Outubro, que completou dois anos nesta terça-feira (7), foi uma “resposta histórica” a Israel, que segundo o grupo ocupa ilegalmente os territórios palestinos.

Na manhã de 7 de outubro de 2023, terroristas do Hamas invadiram o sul de Israel e realizaram assassinatos em massa de israelenses. Cerca de 1.200 morreram, e 251 foram levados como reféns para a Faixa de Gaza. Segundo Israel, 48 deles continuam sob poder do Hamas, dos quais 20 estão vivos e o restante, morto.

“Reafirmamos que a Tempestade de Al-Aqsa, em 7 de outubro, foi uma resposta histórica às tentativas de erradicar a causa palestina”, afirmou Fawzi Barhoum, um alto funcionário do Hamas, em um discurso televisionado.
Israel não se pronunciou, até a última atualização desta reportagem, sobre a fala de Barhoum.

O ataque terrorista foi o estopim para a guerra em Gaza. Israel lançou uma ofensiva militar contra o Hamas no território palestino para caçar os responsáveis pelo ataque, eliminar as capacidades militares do grupo e resgatar os reféns.

Desde então, o conflito em Gaza gerou uma destruição generalizada do território, uma grave crise humanitária entre os palestinos, com a prática de genocídio e a situação de fome generalizada, segundo agências independentes ligadas à ONU. Mais de 67 mil palestinos foram mortos e quase 170 mil ficaram feridos pela ofensiva do Exército israelense, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas —essa contagem é chancelada pela ONU.

Assim como faz em diversas ocasiões, o governo de Israel relembrou nesta terça o horror do ataque terrorista de 7 de Outubro. Israelenses por todo o país realizaram diversas homenagens para relembrar as vítimas. Atos pró-Israel e também pró-Palestina foram registrados pelo mundo nesta terça.

Guerra em Gaza está perto de acabar?
Relembre no vídeo abaixo o ataque terrorista do Hamas em Israel.

Vídeos mostram sequência da invasão do Hamas na rave Universo Paralello
Vídeos mostram sequência da invasão do Hamas na rave Universo Paralello

Ainda é cedo para dizer que a guerra está perto de acabar. Parte da comunidade internacional vê na proposta apresentada por Trump um sinal de esperança para, ao menos, um cessar-fogo no curto prazo. Mas ainda há obstáculos.

A resposta do Hamas ao plano, apesar de positiva, deixou várias questões em aberto.
O grupo terrorista não deixou clara sua posição sobre o desarmamento, um dos principais pontos do plano e objetivo declarado de Israel na guerra.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, aprovou a proposta, mas rejeita a criação de um Estado palestino — algo para o qual o plano dos EUA abre caminho, ainda que de forma condicionada.
Outros impasses envolvem o cronograma de retirada das tropas israelenses de Gaza e a definição de um novo governo para o território.
Segundo a Reuters, especialistas enxergam as negociações como o início de um processo para o cessar-fogo, e não o fim.
Vale lembrar que o plano em discussão foi apresentado após outras tentativas de cessar-fogo: uma no início da guerra, em 2023, e outra no começo deste ano. Ambas duraram poucas semanas e não conseguiram trazer estabilidade ao Oriente Médio.

Na segunda-feira (6), delegações de Israel e do Hamas participaram do primeiro dia de negociações no Egito sobre o plano de Trump. As conversas tiveram mediação dos anfitriões, além de Estados Unidos e Catar. Uma nova rodada está marcada para esta terça-feira.

Apesar de Trump ter pedido para que Israel interrompesse os ataques durante as negociações, bombardeios ainda foram registrados no fim de semana. A imprensa israelense informou que os militares foram orientados a reduzir a ofensiva.

Os israelenses são cidadãos do Estado de Israel, criado no fim da década de 1940. Os palestinos são um povo etnicamente árabe, de maioria muçulmana, que habitava a região entre o Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo. Já o Hamas é um grupo extremista islâmico armado que atua nos territórios palestinos e controla a Faixa de Gaza desde 2007.

O que buscam Israel e Hamas
Hamas afirmou que 5 mil foguetes foram lançados da Faixa de Gaza — Foto: REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa
Hamas afirmou que 5 mil foguetes foram lançados da Faixa de Gaza — Foto: REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa

Os dois lados tentam mostrar disposição para cooperar nas negociações de um cessar-fogo, mas têm seus próprios interesses.

Para Netanyahu, apoiar o plano proposto recentemente por Trump pode ser uma forma de manter boas relações com os Estados Unidos. Ao mesmo tempo, ele tenta mostrar que não cedeu demais para não perder apoio político interno.

Aliados da coalizão de direita que compõe o governo israelense são contrários a qualquer acordo com o Hamas e rejeitam a criação do Estado da Palestina.
Já o Hamas disse que concorda em libertar todos os reféns, além de devolver os corpos das vítimas sequestradas que morreram. O grupo também afirmou que aceita entregar o governo de Gaza a um órgão independente, mas ressaltou que alguns pontos ainda precisam ser negociados.

Segundo a Reuters, ao aceitar libertar reféns, mas deixar outras questões em aberto, o Hamas tenta transferir o foco para outros atores — como mediadores árabes e países que pressionam Israel e EUA pelo fim do conflito.
Proposta de paz
O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, se encontra com Donald Trump na Casa Branca — Foto: REUTERS/Jonathan Ernst
O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, se encontra com Donald Trump na Casa Branca — Foto: REUTERS/Jonathan Ernst

A Casa Branca apresentou na semana passada um plano com 20 pontos para encerrar a guerra na Faixa de Gaza imediatamente.

A proposta prevê o território como uma zona livre de grupos armados. Integrantes do Hamas podem receber anistia, desde que entreguem suas armas e se comprometam com a convivência pacífica.

Se o plano for implementado, Gaza passaria a ser governada por um comitê formado por palestinos tecnocratas e especialistas internacionais.
O grupo atuaria sob supervisão de um novo órgão chamado “Conselho da Paz”, que seria presidido por Trump. Não está claro se Israel participaria do órgão.
Segundo a Casa Branca, o Hamas tem 72 horas para libertar todos os reféns mantidos desde o início da guerra, em 7 de outubro de 2023.
A proposta também prevê que Israel libere quase 2 mil prisioneiros palestinos. Além disso, a ONU e o Crescente Vermelho seriam responsáveis pela distribuição de ajuda na Faixa de Gaza.
O plano é vago sobre a criação do Estado da Palestina, mas indica um caminho que pode levar a esse reconhecimento no futuro.
Membros da comunidade internacional receberam a proposta de forma positiva. Por outro lado, moradores de Gaza disseram estar sem esperanças e temem uma piora no conflito.

Trump afirmou que, se o Hamas não aceitar o acordo, o grupo enfrentará um “inferno total”. Ele disse ainda que apoiará Israel em ações militares para eliminar o grupo de forma definitiva. Na mesma linha, Netanyahu afirmou que avançará na ofensiva em Gaza caso o acordo não seja fechado.

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