Capitão e timoneiro!

O presidente Jair Bolsonaro só em anunciar que iria mexer na Petrobras, até porque ele só confirmou a saída de Roberto Castello Branco quando o mercado já tinha fechado na sexta-feira, 19 – fez com que a estatal perdesse R$ 28,2 bilhões em seu valor no mercado acionário de Nova York e São Paulo.  Bolsonaro indicou para o comando o general Joaquim da Silva e Luna.

Bolsonaro, no sábado, 20, disse em Campinas(SP), em outro evento de militares, rodeado por eles, que vai continuar fazendo mudanças em seu governo.  Bolsonaro já tinha se irritado como mudanças feitas no Banco do Brasil pelo presidente André Brandão. Ele não caiu, mas Brandão falou ao mercado na sexta-feira,19, que só fica no cargo se puder atuar tecnicamente.

Bolsonaro disse também, a apoiadores, que vai mexer com a energia elétrica. 

Destaque-se que o general Silva e Luna, que estava na direção brasileira da Itaipu Binacional, nunca trabalhou no setor de petróleo. A situação se parece com a intervenção que Bolsonaro fez no Ministério da Saúde, colocando o General Eduardo Pazuello no lugar de médicos e técnicos. Está dando o que vemos.

O presidente nacional do Progressistas, senador  Ciro Nogueira(PI), saiu em defesa das mudanças. Ele que é o principal líder do Centrão, que afiança Bolsonaro nesse momento. Ele afirmou que estava havendo muito pessimismo com o que faz na Petrobras, que o governo não vai mudar sua política econômica e que as pessoas estão vendo “fantasmas”. Outros membros do Centrão, como o ministro Fábio Faria, das Comunicações, disse que o Governo é liberal e que  mudança veio porque o Presidente não tinha uma interlocução com Castello Branco.

Bolsonaro está dizendo que não se vai mexer nos preços combustíveis de forma intervencionista. Se vazou para imprensa que Paulo Guedes, da Economia, que anda calado, vai fazer ajustes tributários e fiscais para que o Governo não descumpra a Lei de Responsabilidade Fiscal(LRF). É bom lembrar ao leitor e leitora que a cada mudança na arrecadação se tem que fazer compensações. Bolsonaro mandou deixar de sobrar tributos federais dos combustíveis.  Por enquanto, essas mudanças não estão afetando os outros entes federados.  Existe uma proposta já apresentada pelo Governo Federal sobre uma Lei Complementar ao ICMS, que interessa diretamente aos estados.

O mercado vai abrir nesta semana nervoso com as mudanças. Não há garantia alguma que o que sai da boca de Bolsonaro e de seus apoiadores mais equilibrados dê garantias que esse inequívoco intervencionismo será sucedâneo.  As experiências vista no Governo Dilma Rousseff não foram boas. Apoiadores de Dilma Rousseff dizem que os maiores problemas naquele governo não foram esses.  O anúncio da indicação de Silva e Luna fez petistas enaltecerem o patriotismo do General Silva a Luna, na expectativa de que ele barre alguns processos de vendas de ativos, especialmente refinarias. Os Generais são famosos por não gostarem de vender ativos, que tem referências histórico-nacionais.

Enquanto se observa o que virá na Petrobras, Bolsonaro vai ficar mais dependente ainda de seu novo consórcio político, que vai ter que compensar mostrando ao Mercado e ao Mundo que as reformas e os compromissos fiscais vão ser mantidos.

Na verdade, enquanto Bolsonaro faz sua dominação e seu intervencionismo caberá ao Congresso ficar cada vez mais forte, sinalizando para a quem de direito, que alguém pode  está pilotando o barco, mas que há timoneiro à bordo!

Por Genésio Araújo Jr.

E-mail: politicareal@terra.com.br  

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