ENFRENTANDO A CRISE: Kristalina Georgieva disse, ao G-20, que mesmo com avanços econômicos na pandemia não se deve paralisar auxílios aos mais carentes

(Brasília-DF, 20/11/2020) O Fundo Monetário Internacional(FMI) divulgou documento nesta quinta-feira, 19, com recomendações ao grupo das 20 maiores economias do mundo, o chamado G-20, que se reúne nesta semana.  O documento é amplo, mas a diretoria geral Kristalina Georgieva fez considerações no blog da instituição salientando que frente a esse novo momento em que os países começam a se “reerguer da profundezas da crise” existe a boa notícia  com o progresso considerável no desenvolvimento de vacinas, notícia não muito boa é a gravidade da pandemia e seu impacto econômico adverso. No mês passado, o FMI projetou uma contração histórica do PIB mundial em 2020, de 4,4%. A expectativa do FMI é de uma recuperação parcial e desigual no próximo ano, com crescimento de 5,2%.  Elas faz várias considerações e chama atenção não suspender, imediatamente, os programas de apoio. No Brasil, membro do G-20, temos o auxílio emergencial que se encerra no final do ano. Veja  AQUI a íntegra do estudo do FMI para o G-20.

Kristalina Georgieva diz que há sinais de recuperação, os dados mais recentes sobre os setores de serviços que exigem contato intensivo apontam para uma desaceleração do ímpeto das economias onde a pandemia está recrudescendo.

“É por isso que precisamos manter medidas de política robustas para combater a incerteza contínua .”, diz Kristalina Georgieva.

Ela faz recomendações:

Em primeiro lugar, vencer a crise sanitária.

O aumento das infecções é um poderoso lembrete de que nenhum lugar terá uma recuperação econômica sustentável se não derrotarmos a pandemia em todo o mundo. Os gastos públicos com tratamento, testes e rastreamento de contatos são agora mais importantes do que nunca.

O mesmo ocorre com a cooperação transfronteiriça para reduzir o risco de um abastecimento inadequado de vacinas, tratamentos e testes. É necessário, portanto, intensificar os esforços multilaterais para a fabricação, compra e distribuição dessas soluções sanitárias, especialmente em nações mais pobres. Também é preciso eliminar as recentes restrições ao comércio de todos os bens e serviços médicos, inclusive em relação a vacinas.

Estimamos que um progresso mais rápido com soluções médicas amplamente compartilhadas poderia adicionar quase US$ 9 trilhões à renda mundial até 2025. Isso ajudaria a reduzir a disparidade de renda entre as nações mais pobres e mais ricas em um momento em que a desigualdade entre os países deve aumentar.

Em segundo lugar, fortalecer a ponte econômica para a recuperação.

Liderado pelos países do G-20, o mundo adotou medidas sem precedentes e sincronizadas que serviram de sustentáculo para a economia mundial, que incluem US$ 12 trilhões em medidas fiscais e apoio massivo à liquidez por parte dos bancos centrais. As condições de financiamento foram flexibilizadas para todos, exceto os tomadores de mais alto risco.

Dada a gravidade da crise, precisamos aprofundar essas medidas. Muitas nações em desenvolvimento continuam a enfrentar uma situação precária, em grande parte devido à capacidade mais limitada de responder à crise; em escala mundial, as incertezas econômicas e financeiras permanecem elevadas . Por exemplo, avaliações de ativos elevadas apontam para uma desconexão entre os mercados financeiros e a economia real, com riscos inerentes para a estabilidade financeira.

Além disso, o apoio prestado pela política fiscal vem diminuindo gradualmente . Muitas medidas vitais, como transferência de renda para as famílias, programas de retenção de emprego e seguros-desemprego ampliados, expiraram ou devem expirar até o final deste ano, e isso enquanto se projeta que o desemprego causado pela crise continuará a ser considerável. Só no setor do turismo mundial, estima-se que até 120 milhões de postos de trabalho estejam em risco.

Em terceiro lugar, estabelecer as bases de uma economia melhor para o século XXI.

A incerteza mais relevante que temos hoje pela frente é: como aproveitar este momento de ruptura para construir uma economia melhor para todos? Esse foi o foco dos líderes mundiais reunidos no Fórum da Paz em Paris na semana passada, e será a prioridade dos líderes do G-20.

Todos reconhecemos que a sustentabilidade ambiental deve ser um pilar fundamental de uma economia mais resiliente e inclusiva. Requer uma poderosa combinação de medidas, inclusive um impulso ao investimento verde e o aumento gradual dos preços de carbono. Estimamos que esse tipo de pacote de políticas poderia elevar o PIB mundial e criar cerca de 12 milhões de novos empregos ao longo de uma década, abrindo ao mesmo tempo um caminho para zerar a emissão líquida de carbono até meados do século.

Mas uma coisa é clara: se quisermos tirar proveito do crescimento verde e materializar todo o potencial da economia digital, devemos apoiar os trabalhadores para que possam fazer a transição de setores em retração para setores em expansão. Os gastos sociais são certamente indispensáveis, como maior investimento em treinamento, requalificação e formação de boa qualidade. Isso é particularmente importante para os trabalhadores com baixa ou média qualificação, entre os quais mulheres e jovens estão super-representados. Esse grupo foi mais duramente atingido pela crise.”

Kristalina Georgieva em fala de painel do FMI, em outro momento

Mais recomendações

A  economista Kristalina Georgieva  também enumera dicas para recuperação.

“Como podemos então reduzir a incerteza e fortalecer a ponte para a recuperação?

1. Evitando a suspensão prematura das políticas de apoio . Em algumas economias, há margem para oferecer mais apoio fiscal no próximo ano além do que está atualmente orçado. No caso dos países com espaço fiscal limitado, será fundamental priorizar e realocar gastos para proteger os mais vulneráveis. Igualmente importante é a continuidade da acomodação monetária e das medidas de liquidez para garantir o fluxo de crédito, especialmente para as pequenas e médias empresas, complementado por políticas adequadas no setor financeiro. Isso ajudaria a apoiar o crescimento, o emprego e a estabilidade financeira

2. Preparando-se agora para uma iniciativa sincronizada de investimento em infraestrutura assim que a pandemia estiver mais contida , para estimular o crescimento, limitar as sequelas e abordar os objetivos relacionados ao clima. Nos casos em que há ampla capacidade ociosa, esse tipo de investimento do setor público pode ajudar as economias a avançarem no sentido do pleno emprego, fortalecendo simultaneamente a produtividade do setor privado.”, disse

A economista Kristalina Georgieva disse que FMI colocou, “um apoio sem  precedentes”, mais de US$ 100 bilhões em novos financiamentos para 82 países e a redução do serviço da dívida para membros mais pobres.

 

( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr)

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