A polarização é irresistível?

(Brasília-DF) Faltam menos de três semanas para as eleições gerais em primeiro turno. Segundo as principais pesquisas, divulgadas até o momento, existem em torno de 68 milhões de eleitores que não se decidiram em quem votar, ou que podem mudar o voto.

A terceira pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira, 14 de setembro, já avaliando o cenário com a confirmação do ex-prefeito Fernando Haddad como o candidato do PT, chamou muita atenção. A pesquisa revelou que o eleitorado do Nordeste já coloca Haddad(Andrade) em destaque. Ele mal chegou e já sentou na janela. Pesquisas anteriores ao registro das candidaturas apontavam que 30% do eleitorado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia votar num candidato apoiado por ele. Há quem especule no PT que isso poderá chegar, na prática, a 80% dos apoiadores de Lula.

Nos próximos dias veremos, com a ausência do candidato Jair Bolsonaro(PSL) das ruas, uma movimentação forte dos candidatos mais competitivos andando pelo Nordeste. Ciro Gomes, Marina Silva e o próprio Haddad. O outro candidato com alguma competitividade, Geraldo Alckmin(PSDB), se anuncia, mira um novo patamar de sua campanha no horário eleitoral e mídias sociais. O foco será atingir tanto Fernando Haddad como Jair Bolsonaro.

Ressalte-se que Bolsonaro, após o atentado que sofreu, cresceu no Nordeste e está quase empatado com Haddad na região( 20% um e 17% o outro).  Falamos muito do Datafolha, mas o instituto Ibope mostra que 53% do eleitorado antipetista está votando no candidato Bolsonaro. É bom destacar também que se juntarmos todos os candidatos de centro teríamos um total de 23% dos votos.  Se somarmos os votos, segundo a pesquisa Datafolha, do candidato Ciro Gomes(PDT) teríamos 36% dos votos disponíveis com amplas condições de arrastar os indecisos.

As forças estão aí, porém enquanto os pólos do extremo caminham à consolidação não vemos nada neste sentido entre aqueles que poderiam ser a nota do equilíbrio(?). Não parece ajuizado imaginar que haverá uma concessão ao meio termo nesta eleição.

As pessoas parecem não se assustar com as declarações do General Hamilton Mourão , que defendeu um “autogolpe” e depois disse que caberia uma nova constituição feita por notáveis, depois avalizada por um plebiscito. As pessoas parecem não se assustar com os argumentos levados adiante por Fernando Haddad que é possível voltar no tempo e resolver todos os nossos problemas com um crescimento econômico parecido com o último ano de Lula, em 2010, com 7,5%.

As pessoas caminham para se associar, a não ser que mude algo até lá, e isso está ficando cada vez mais improvável – com a polarização.  O “Imponderável de Almeida”, como dizia Nélson Rodrigues, pode entrar em campo a qualquer momento.

O eleitorado nordestino poderá ser decisivo para essa formação da consolidação da polarização. Em tese, os nordestinos são simpáticos, em sua maioria, ao ex-presidente Lula. A classe média nordestina foi influenciada nos últimos anos pelo ocaso petista, no entanto é complexo analisar para onde irá. Na pesquisa Datafolha da última sexta-feira, 14, Bolsonaro avançou ainda mais na renda entre 5/10 salários mínimos, saindo de 38% para 43%. Haddad, mal chegou, já avançou de 8% para 11% , e Ciro Gomes caiu de 14% para 11%.

A dúvida é se Ciro Gomes e Marina Silva vão conseguir barrar esse crescimento de Haddad no Nordeste ou se Ciro e Alckmin vão conseguir representar um meio termo.  A polarização caminha firme, mas nada garante que a onda será irrefreável.

Uma coisa é certa, o Nordeste não elege presidente, mas sem o Nordeste ninguém se elege presidente.

Por Genésio Araújo Jr, jornalista

Emial: politicareal@terra.com.br

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