Dilma não acabou com as mulheres na política!

(Brasília-DF) As pessoas quando estão sem parâmetros se socorrem do que podem. Normalmente, em época de redes sociais, de situações referência – falas medianas curtidas, muitos likes! Antes disso, as pessoas se socorriam do tradicional, o célebre. Não raro, essas referências nem sempre eram politicamente corretas.

Na política tem umas que não mudam. “ À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta.” É um provérbio, surgido após o julgamento do divórcio do Imperador Romano, Caio Júlio César, de sua bela mulher Pompeia, por volta de 62 a.C. Essa frase marcou os séculos, principalmente durante o auge da democracia no século 20.

Outra que é uma referência dos embates democráticas, durante a ascensão das mulheres à vida pública, também no Século 20 – é que discutir com as mulheres é sempre ruim. Virou referência entre os estrategistas de embates envolvendo mulheres uma alusão sexista, mas que tem sentido. Brigar com mulher é certeza de derrota. Se se bate vão dizer que se é um bruto, um covarde.  Se se deixar dominar é como perder para uma briga com um bêbado(sic).

Nos tempos atuais parece uma excrescência sexista, reputo. A maior presença das mulheres na atividade política, econômica e social é medida da sofisticação das sociedades contemporâneas. É verdade, também, que o matriarcado é referência de abandono e pobreza na África e no interior do Norte e Nordeste do Brasil, para olharmos para nós.

O Impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, para muitos, inclusive a esse jornalista, foi um duro golpe para as mulheres na vida pública. Dilma saiu do poder como uma apedeuta política. Cometeu todos os erros possíveis e imagináveis, quando se esperava dela cuidar de uma democracia desorganizada pela crise econômica. Hoje em dia temos várias mulheres à frente de posições chave de nossa sociedade e Estado. A presidente do Supremo Tribunal Federal(SF), Carmen Lúcia, a presidente do Tribunal Superior Eleitoral(TSE), Rosa Weber, a procuradora geral da República(PGR), Rachel Dodge, a advogada geral da União(AGU), Grace Mendonça.  Rosa Weber vai ser a primeira mulher a comandar uma eleição geral no Brasil. Grace Mendonça é a primeira mulher a comandar a Advogacia-Geral da União.

Nessa semana de campanha eleitoral, vimos uma mulher tida como fraca e que se transformou numa nobre pela origem e percurso de vida, ter deixado a grande novidade eleitoral da disputa presidencial de 2018, o deputado federal Jair Bolsonaro, numa situação que beirou o vexatório. Marina Silva ao fazer referência, e questionar a postura, à famosa foto em que o ex-capitão ensinava uma criança a usar uma arma como parâmetro educacional como a mulheres querem para seus filhos – expôs de forma impactante e marcante o que se coloca como o novo. Isso se deu durante o “Debate da Rede TV!”.

A Rede TV! não está em todos a lista da tv aberta na maioria dos estados brasileiros, mas a transmissão foi realizada em todas as plataformas de internet(twitter, facebook e youtube), acabou colocada à disposição de todos. As redes sociais transformaram o ocorrido num hit.

A campanha da rádio e tv só virá no final do mês; sem grandes comícios, falas marcantes, faz com que tenhamos que lidar com o que temos. À exceção dos movimentos ousados da campanha de Lula, que se mantém em destaque sem fazer um discurso de campanha que seja, o evento entre Marina Silva e Jair Bolsonaro foi um grande momento da campanha.

O eleitorado ainda não está nem aí com a disputa, isso só vai ganhar volume ali, bem rápido, certamente. As mulheres e os grosso do eleitorado não sabem para onde vai. Marina Silva pode até não ganhar a musculatura eleitoral que precisa para chegar num segundo turno, mas ela deu argumentos de sobra para que o eleitorado fique mais atento.

Nem tudo parece o que é. Nem tudo é tão fácil como gostaríamos que fosse.

Por Genésio Araújo Jr, de Brasilia.

e-mail: politicareal@terra.com.br

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