PC do B justifica, em documento, as razões para compor com a candidatura de Lula

(Brasília-DF, 06/08/2018) O Partido Comunista do Brasil(PC do B) até que lançou a candidatura da deputada estadual Manuela D’Ávila(PC do B-RS) à Presidência da República. Chegou a namorar firme com a candidatura do pedetista Ciro Gomes(PDT-CE), vários comunistas do Nordeste informaram a Política Real que um acordo com o PDT estava próximo.  No final da semana passada, chegou a anunciar um acordo tático com o PT e o PSB.  Mas no final desse domingo, 5, o PT decidiu voltar ao Partido dos Trabalhadores, em especial o apoio a candidatura do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O PC do B, hoje, divulgou o que ele considera as razões de um acordo que tenta marcar algum tipo de união nas esquerdas que na prática não se estabelece face as candidaturas de nomes das esquerdas como Ciro Gomes, Guilherme Boullos e Marina Silva.

Veja a íntegra do documento divulga no final da manhã desta segunda-feira, 06

 

Uma aliança pela vitória: Coligação PT-PCdoB

 

O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) fixou como estratégia eleitoral conquistar a vitória das forças progressistas nas eleições presidenciais. Coerente com esse objetivo, buscou viabilizar a perspectiva de uma frente ampla, a partir da unidade da esquerda, como fator indispensável para essa almejada quinta vitória do povo. Trabalhou incessantemente por propostas programáticas unitárias, elaboradas pelas fundações dos partidos de esquerda, e contribuiu para a realização de uma série de reuniões com PT, PDT, PSB e PSOL.

 

Nesse ambiente de diálogo, o PCdoB e sua candidata Manuela D’Ávila foram incisivos na defesa de uma pactuação eleitoral progressiva das candidaturas para derrotar as forças conservadoras e golpistas. Em 22 de julho, o PCdoB e Manuela se dirigiram aos partidos de esquerda e os conclamaram à unidade desde o primeiro turno.

 

Na Convenção do Partido, Manuela foi consagrada candidata à Presidência para, em nome do PCdoB, batalhar por esses objetivos. Manuela, mediante uma campanha vibrante, mobilizou amplos setores progressistas e populares, granjeando prestígio e respeito.

 

Nos últimos dias, o PCdoB intensificou as conversações em torno da unidade. Apesar de todo esse esforço, prevaleceu nesse campo a fragmentação.

 

O Partido dos Trabalhadores homologou a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, grande liderança popular do país, que está arbitrariamente preso.

 

O Partido Democrático Trabalhista, por sua vez, oficializou a candidatura de Ciro Gomes, que corretamente aponta como saída para a grave crise do país um novo projeto nacional de desenvolvimento.

 

O Partido Socialismo e Liberdade, por sua vez, lançou Guilherme Boulos, candidato. E o PSB não coligou, nem lançou candidato, mas recomendou seus militantes apoio aos candidatos do campo progressista.

 

Inviabilizada a unidade mais ampla dos partidos de esquerda, na reta final do prazo legal para definições, o PCdoB e o PT, conjuntamente, persistiram na busca de uma aliança e intensificaram as negociações entre si, tendo em conta que ambos os partidos e outras legendas construíram juntos, ao longo de trinta anos, um campo político e social que resultou no importante ciclo dos governos Lula e Dilma. As duas legendas também estiveram coesas na luta contra o golpe de agosto de 2016, nas jornadas pela liberdade do ex-presidente Lula e pelo seu direito de ser candidato a presidente.

 

No último domingo (5), a direção do Partido dos Trabalhadores foi porta-voz de um convite do ex-presidente Lula para que Manuela D’Ávila assumisse a candidatura de vice na sua chapa.

 

Embora a proposta não contemplasse a unidade mais ampla resultante de uma composição que abarcasse as candidaturas de Lula, Ciro Gomes, Manuela, o PCdoB considerou que, diante da forte orquestração das forças conservadoras e golpistas para vencer as eleições, a coligação entre PCdoB e PT emergia como a aliança possível e importante para se construir a vitória das forças progressistas.

 

Em razão disto e em face da proposta apresentada pelo PT e pelo ex-presidente Lula, a Comissão Política Nacional do PCdoB decidiu aprovar a coligação com o PT, que inclui também Pros e PCO. Tomada a decisão, as presidentas do PT e do PCdoB – a senadora Gleisi Hoffmann e a deputada federal Luciana Santos – anunciaram que Manuela D’Ávila será a vice da chapa de Lula.

 

Face à circunstância excepcional em que o ex-presidente Lula está arbitrariamente preso, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad será registrado como vice-presidente para vocalizar a orientação do ex-presidente até que se esclareça a estabilidade jurídica da candidatura de Lula. A seguir, em qualquer circunstância, Manuela será candidata a vice-presidente, seja com o deferimento ou não da candidatura de Lula.

 

Haddad e Manuela irão liderar ombro a ombro a jornada desde já em todo o país.

 

O convite do ex-presidente Lula evidencia o reconhecimento da dimensão que adquiriu a campanha de Manuela D’Ávila na disputa em curso. Sua voz corajosa e altiva, na defesa da unidade das forças progressistas e de um projeto nacional de desenvolvimento, soberano e democrático, de amplas conquistas para o povo e a classe trabalhadora e dos direitos das mulheres, da juventude, dos negros e da população LGBT, conquistou apoios e galvanizou entusiasmo.

 

A concretização da Coligação PT-PCdoB-Pros-PCO, que será liderada por Lula presidente e Manuela vice, é um acontecimento relevante na acirrada disputa em curso, uma vez que amplia as possibliidades de vitória das forças progressistas.

 

O PCdoB conclama seu coletivo militante, todos seus apoiadores, às forças populares, democráticas, patrióticas a se convergirem e combaterem para tornar possível a quinta vitória do povo nas eleições presidenciais, único meio para tirar o país da crise, e desencadear a jornada por um novo projeto nacional de desenvolvimento.

 

São Paulo, 6 de agosto de 2018.

 

Comissão Executiva Nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)

 

( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr)

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