Nada como uma eleição para desmontar mitos

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(Brasília-DF) Desde 12 de maio de 2016, quando Dilma Rousseff fez seu primeiro discurso como presidente afastada se houve, oficialmente, que foi estabelecido um golpe parlamentar.  Desde então, se falar em golpistas e golpeados na política brasileira virou uma rotina.

Os apoiadores dos governos de Lula e Dilma, assim como seus eleitores mais recônditos, passaram a fazer todas as manifestações possíveis e imaginárias para demonstrar sua convicção, até para isentar a ex-presidente, que tinha sido reeleita em disputa ferrenha com o em seguida desmoralizado senador Aécio Neves(PSDB-MG). Onde tivesse um brasileiro insatisfeito com aquele estado de coisas, se viam palavras jogadas ao vento como torpedos, faixas, grafismos e manifestações.

Os que apoiaram o novo inquilino do Palácio do Planalto, o vice-presidente constitucional Michel Temer, passaram a ser os golpistas, os vilões. A quase totalidade dos deputados e senadores do MDB, Progressista, PTB, PSDB, PPS, PSB, REDE, PSD, Democratas, PSL,PSC, PSL, Solidariedade, Partido da República….  Se foi esquecido algum, certamente foi por falta de relevância. É bom lembrar que a ex-presidente Dilma Rousseff não conseguiu 1/3 nas duas casas do Congresso, e, ressalte-se que alguns desses partidos, com alguns de seus membros, acabaram votando tanto contra a abertura do processo de impeachment como do impedimento em si, no julgamento no Senado Federal.

Passados mais de dois anos e faltando 10 semanas para as eleições presidenciais de 2018 em que, tudo indica, teremos desde a última redemocratização um candidato sub judice, no caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva(PT), líder nas pesquisas -veremos indícios de sobra, mais que isso, provas, de que o mito do golpe está indo pro vinagre em nome da sobrevivência e do pragmatismo.

O Nordeste  é uma referência para a narrativa do golpe. Não se pode esquecer que vem a ser a região que mais sente saudade dos governos petistas, basta ver o protagonismo destacado da pré-candidatura do ex-presidente Lula na região.  Se dependesse só do Nordeste, Lula poderia mandar fazer o terno da posse, mesmo na cadeia.

Nesse final de semana, em dois estados vimos como os mitos se demonstam.  No Maranhão, onde os governos petistas chegaram a ter mais de 70% de apoio nas seguidas eleições, que vem desde 2003, o governador comunista Flávio Dino, que vai à reeleição em excelentes condições, vai ter o apoio do PP, PPS, PROS, PSB, PT, PTB, PR, PRB, DEM, PEN, PTC, Solidariedade e PPL, além de partidos que foram contra o impeachment, como o seu PC do B e PDT.

No Ceará, o diretório do Partido dos Trabalhadores(PT), mesmo definindo que não haveria coligação formal com o MDB neste ano – decidiu rifar a candidatura à reeleição ao Senado de José Pimentel. O senador pelo Ceará foi eleito em 2010, foi ministro da Previdência de Lula, um dos homens mais dedicados a causa da pequena e grande empresa no Brasil. Haverá um acordo informal com o senador Eunício Oliveira(MDB-CE), que vem salvando o governo de Camilo Santana da mediocridade.

No Piauí, o governador petista Wellington Dias terá em sua chapa ao Senado o “golpista” Ciro Nogueira e o MDB.

O que vale para o PC do B, com seus conhecidos propagandistas do golpe, e para o PT em estados como Ceará, Piauí e Bahia, e o mesmo deve se dar na maioria dos estados nordestinos à exceção, talvez, do Rio Grande do Norte e de Pernambuco, é reeleger seus governadores, sejam com o não “golpistas”.

As eleições servem para renovar as democracias, servem, também, para acabar com as retóricas

Boa semana a todos!

Por Genésio Araújo Jr, jornalista

Email: politicareal@terra.com.br

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