Lula vai, Lula volta, mas presente!

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(Brasília-DF) O vai e volta dos desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região(TRF-4) que, inicialmente, concederam liberdade ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e depois o mantiveram preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, no Paraná, gerou um fato político para esse sequência e dias que inauguram o segundo semestre de 2018.

Estamos em pleno recesso do Judiciário, com o fim da participação da seleção brasileira na Copa do Mundo da Rússia e na iminência do recesso parlamentar.

Na semana passada, chamou atenção entre os políticos a decisão da executiva nacional do PT e de Lula de apresentarem uma coordenação política para a campanha. Foram definidos alguns coordenadores regionais, como a escolha de um deputado federal  medebista, adversário da família de Ciro Gomes, para ocupar uma das coordenações no Ceará.

Também, na semana passada, o evento “Diálogos” realizado pela Confederação Nacional da Indústria(CNI) – no estilo sabatina – mostrou os empresários do PIB nacional vaiando Ciro Gomes e se derramando por Jair Bolsonaro.

Também ficou evidente entre a classe política o sentimento de que o ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, teria condições de seguir adiante com o apoio de Lula.  Lá atrás, mas recente, pesquisas apontavam que 30% do eleitorado de Lula poderia votar, sim, num candidato ungido pelo ex-presidente.

Se Lula tivesse sido solto, provisoriamente, que seja, já seria um abalo.  O PT, no Nordeste, pretende reeleger seus três governadores, porém Camilo Santana, do Ceará, alinhado com Ciro Gomes ficaria sem condições políticas para manter o acordo com o grupo que lhe apoia desde quando se elegeu em 2014.  Fátima Bezerra ganharia mais fôlego, lá no Rio Grande do Norte.

O PSB e o PC do B nordestinos, hoje, inclinados a ficar com Ciro Gomes voltariam ao leito lulista.

Jair Bolsonaro que parece ter chegado no teto, teria condições de avançar se fortalecendo na polarização com Lula. Ciro se enfraqueceria ao ponto de virar um nanico. Marina Silva teria a dimensão que tem hoje?

Nada disso mais existe. Lula continua preso, no entanto a mera possibilidade dessa situação se montar já serviu para mostrar como a cena política nacional é precária.

Lula teria entre 50% e quase 70% de intenções de votos na região onde nasceu o Brasil. Várias pesquisas tem revelado que 30% do eleitorado lulista está disposto a votar num candidato por ele indicado e ungido.   É estipulado pelos especialistas que teremos uma abstenção obrigatória entre “3% e 5%” em face da chamada biometria, estabelecida pelo Tribunal Superior Eleitoral(TSE).

Nas grandes cidades, deveremos, mesmo com a proximidade das eleições – ter grande abstenção.  Nos médios e pequenos redutos eleitorais essa abstenção deverá ser menor, face ao esforço dos chamados “vaqueiros de votos”.   Os eleitores motivados, os raivosos e os lulistas, tendem a ser destaque.

Hoje, se avalia que o eleitorado tido como mais qualificado, que busca posições mais equilibradas e tem a racionalidade da importância do momento nacional – será minoria. Não deverá ir votar, até.  A tradição brasileira é do equilíbrio, mas vivemos um momento único que está propenso a deixar muita gente órfã de suas convicções.

Lula vai e volta mas continua presente.  Um candidato dele, antes tido como um qualquer, já não pode ser descartado.

Foi Genésio Araújo Jr, jornalista

Email: políticareal@terra.com.br

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