LIBERDADE DE IMPRENSA – “Precisamos das mídias, da imprensa livre, de todas as formas de comunicação cidadã”, diz Cármem Lúcia, combatendo censura

Brasília-DF, 12/06/2018) A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministra Cármen Lúcia, combateu nesta segunda-feira, 11, a censura imprensa e à Justiça, e defendeu liberdade de imprensa no Brasil.

“Acredito num Brasil em que cada cidadão possa exercer a sua liberdade de maneira crítica, bem informada e para isso nós precisamos das mídias, da imprensa livre, de todas as formas de comunicação cidadã, por isso a importância de um encontro como esse”, afirmou a ministra.

“Sem a imprensa livre a Justiça não funciona bem, o Estado não funciona bem”, acentuou.

As declarações de Cármen Lúcia ocorreram durante a abertura do Seminário 30 anos Sem Censura: a Constituição de 1988 e a Liberdade de Imprensa, promovido pelo CNJ e que reúne jornalistas e advogados para debater a importância da liberdade de expressão.

Mudanças/comunicação

A presidente do STF destacou em sua fala as mudanças significativas ocorridas nos meios de comunicação, no poder e na sociedade nos últimos 30 anos, destacando que “a Constituição brasileira precisa ser reinterpretada para se manter viva e coerente com as necessidade do povo brasileiro.

“Talvez há 40 anos fosse impossível se cogitar um encontro como esse”, frisou.

Cármen Lúcia disse que é preciso refletir por que em plena democracia questões como violência contra jornalistas ainda estão presentes.

“Por que o Brasil é tantas vezes lembrado no mundo como um dos lugares em que a profissão de jornalista continua a ser tantas vezes agredida, vilipendiada?”, indagou.

Segundo a ministra, o Brasil tem potencial para ser matriz, e não apenas cópia, de outras práticas de expressão e de imprensa para todos os povos.

Alberto Dines

A presidente do STF também homenageou o jornalista, acadêmico e escritor Alberto Dines, falecido em 22 de maio último, e personificou seu agradecimento a cada um dos jornalistas brasileiros que cumprem a difícil missão de informar.

Carmen Lúcia e debatedores no CNJ

Citando Dines e o jornalista Hipólito da Costa, ela afirmou que é preciso prosseguir, ressaltando que só a cidadania responsável e comprometida produzirá um Estado melhor.

O seminário

O objetivo do seminário, segundo a ministra Cármen Lúcia, é apresentar o resultado do relatório estatístico sobre liberdade de imprensa elaborado pela professora Tereza Sadek, chefe do Departamento de Pesquisas do CNJ, para colocar o tema em discussão tanto no poder Judiciário, quanto em outras esferas da sociedade civil.

Da mesa de abertura do eveto participaram, ainda, o presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cláudio Lamachia, o deputado federal Miro Teixeira (Rede/RJ) e a jornalista, escritora e integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL) Rosiska Darcy. Segundo a ministra Cármen Lúcia, é de fundamental importância discutir questões como “o poder e a mídia, o poder da mídia e o poder na mídia”.

Novas mídias

Da programação do seminário consta, ainda, o painel “Liberdade de expressão e Imprensa livre: desafios da atualidade”, coordenado pelo ministro Aloysio Corrêa da Veiga, do Tribunal Superior do Trabalho, e contará com a participação do presidente da OAB, Claudio Lamachia, e dos jornalistas Renata Lo Prete e Fábio Pannunzio.

Outro painel abordará as “Novas e velhas formas de censura?”, coordenado pelo presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Domingos Meirelles. Participam Judith Brito, membro da Associação Nacional de Jornais (ANJ), os jornalistas Helena Chagas e Carlos Lindenberg, e a advogada Tais Gasparian. Tem também o o painel “Novas mídias: Fatos, versões e fake”, coordenado pelo jornalista Valdo Cruz, tendo como expositores o professor Fabro Steibel, os jornalistas Cláudio Dantas e Felipe Recondo, e o advogado e jornalista Miguel Matos.

(Por Gil Maranhão. Agência Política Real – com informações do STF. Edição: Genésio Jr.)

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