ELEIÇÕES 2018 – Índia do Maranhão, pré-candidata a vice-presidente na chapa do PSOL, é o diferencial neste pleito

A índia Sônia Bone Guajajara, ou simplesmente Sonia Guajarara, de 42 anos, nascida nas terras indígenas Araribóa, município de Amarante do Maranhão (MA), é a mais nova sensação – ou mesmo grande diferencial – das eleições presidenciais desta no Brasil.

Sábado passado, 10, ela foi lançada pré-candidata a vice-presidente da República na Conferência Eleitoral do PSOL, na chapa encabeçada pelo líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Guilherme Boulos. O Psol é o primeiro partido a lançar pré-candidato a vice-presidente.

Formada em Letras e em Enfermagem, e especialista em Educação Especial pela Universidade Estadual do Maranhão (UFMA), Sônia está sendo considerada pela mídia brasileira como a “nova Marina” pelo seu discurso forte em defesa do meio ambiente e luta aguerrida dos povos indígenas do País.

Pelo Meio ambiente

No último Rock in Rio, em dezembro de 2017, ela caiu no gosto popular ao discursar pela demarcação das terras da Amazônia, no show de Alicia Keys, artista norte-americana, negra, engajada com diversas causas sociais. A fala da índia maranhense aconteceu durante a execução da música Kill Your Mama, que aborda justamente a devastação do meio ambiente. Após o discurso, Sônia foi ovaciona pelo público com um sonoro “Fora Temer”.

Na Conferência Eleitoral do PSOL, junto a outras representantes do movimento indígena, Sônia Guajajara deu o seu recado.

“O momento é grave e urgente. É de transformação. Para nós, povos indígenas, estar participando desta conferência é estar inserido no processo de transformação do Brasil”.

Início da militância

Em 2015, Sonia Guajajara recebeu a Ordem do Mérito Cultural. A sua militância em ocupações e protestos começou na coordenação das organizações e articulações dos povos indígenas no Maranhão (COAPIMA) e levou-a à coordenação executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB). Antes disso, Sônia passou pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB).

Aos 15 anos, a indígena deixou Amarante do Maranhão e foi morar numa terra estranha à dos seus povos, na cidade mineira de Esmeralda. Alí, a adolescente já sabia se desviar da ignorância e do preconceito, a fim de abrir caminho à compreensão.

Reivindicações/povos indígenas

Questionada, em 2012, pelo Correio Brazilienze quais sobres as principais reivindicações dos povos indígenas, Sônia Guajaras respondeu:

“Para a gente, o conceito de economia verde é ter condições de manter a floresta preservada e usar os recursos do meio ambiente de forma sustentável, como fazemos. Milenarmente, os povos indígenas vivem na floresta e sabem como cuidar sem destruir. Mesmo assim, não temos condições de fazer isso porque há exploração ilegal de terras e invasões. Nossa bandeira principal é a questão dos territórios e as condições para se viver na floresta mantendo-a viva. Muita gente diz que o índio não precisa da terra, porque ele não vai aproveitar”, declarou.

E completou: “De fato, por muitos anos vivemos sem fazer nenhum tipo de trabalho, aproveitamento ou extrativismo. Vivíamos apenas do que a natureza oferece. Só que hoje, vemos essa questão de uma forma diferente. A gente também sabe usar os recursos naturais de uma forma sustentável. Queremos que a política nacional de gestão ambiental e territorial das terras indígenas seja implementada. Passamos três anos discutindo essa política, até que nesse ano ela foi assinada pela presidente Dilma e agora queremos que essa decisão se concretize”, concluiu.

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