EUA estão perdendo o controle da Europa: seria o colapso da OTAN

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A firmação de um acordo de cooperação militar entre os países da União Europeia (PESCO) pode resolver muitas questões técnico-militares, financeiras e jurídicas que a Europa enfrenta. No entanto, a criação de uma nova aliança no continente desafia a existência da OTAN, segundo indica um artigo publicado na mídia russa Zvezda.

“O fato da Aliança Atlântica existir por muitos anos em sua forma atual, a que todos já estão acostumados, deve-se principalmente ao apoio dos Estados Unidos. No entanto, a política dos EUA quanto a seus “aliados” sempre foi muito estranha”, afirma o artigo.

Washington fez com que os países aliados tivessem que escolher entre a lealdade aos EUA ou o cumprimento do direito internacional, nomeadamente durante a guerra do Iraque e os bombardeamentos da Líbia. Caso alguém se recusasse a participar das aventuras do Pentágono, cairia em desgraça, afirma o autor do artigo.

“A indiferença dos EUA em relação a seus próprios aliados foi confirmada há cinco anos, quando o país deslocou elementos terrestres do sistema norte-americano de defesa antimísseis para a Polônia, Hungria e República Tcheca. De facto, os EUA não apenas fracassaram em proteger seus aliados, mas até os puseram em risco de ser alvo de retaliação em caso de uma guerra de grande escala”, comenta.

Com a chegada de Donald Trump à Casa Branca, a situação mudou radicalmente, escreve a Zvezda. Sendo um empresário com experiência, Trump sugeriu que os aliados deveriam pagar mais pela ajuda estadunidense, referindo-se inclusive à Alemanha e Coreia do Sul.

Trump ressaltou em várias ocasiões que os outros membros da OTAN não pagam uma contribuição “justa” para a luta contra as ameaças à Europa, afirmando que, em seu estado atual, a Aliança parece pouco vantajosa para os Estados Unidos.

“É natural que este tipo de política e afirmações tenha deixado de convir e de agradar aos europeus, também pragmáticos, capazes de contar seu dinheiro e desejosos de realizar uma política independente”, avança o autor.

Os europeus já sabem produzir seus próprios mísseis, navios, helicópteros e aviões, e na Europa há jogadores que estão interessados na independência em relação a Washington, incluindo na área militar.

“No entanto, é preciso entender que a Europa é muito diversa e há países qu se agarram ao “guarda-chuva norte-americano” até o fim, e farão isso à custa dos EUA”, sublinhou o cientista político Dmitry Rodionov em entrevista à Zvezda.

A mídia ressalta que as vozes discordantes de muitos países da União Europeia farão com que os EUA deixem de ter uma “ferramenta de pressão” sobre a Europa.

“Embora formalmente os representantes de instituições militares dos EUA possam vir a elogiar as tentativas dos colegas europeus de criar um sistema de segurança comum, a mera possibilidade de escolher entre a PESCO e a OTAN significa a perda total do controle norte-americano sobre a Europa”, conclui o autor do artigo.

Na segunda-feira (13), mais de 20 países da União Europeia se mostraram dispostos a participar do plano PESCO (Cooperação Estruturada Permanente), que prevê a criação de projetos militares conjuntos dos Estados-membros. Estes projetos compreenderão inclusive a transferência de dados entre a inteligência militar e a organização de um sistema logístico para transportar equipamento militar pesado.

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