Para Eletrobras, R$11,2 bilhões não serão suficientes para térmicas

O presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto, disse nesta quarta-feira (14) que o empréstimo bancário de R$ 11,2 bilhões, que será pago pelos consumidores a partir do ano que vem, não deve ser suficiente para cobrir todo o gasto extra das distribuidoras com a compra de energia no mercado à vista e o uso mais intenso das usinas termelétricas em 2014.

“Eu acredito que vai ser necessário mais algum recurso adicional”, disse Carvalho Neto após participar de uma audiência pública na Câmara, em Brasília. A Eletrobrás administra seis distribuidoras de energia no país, em estados como Amazonas, Goiás, Acre e Piauí.
Essa conta bilionária deveria ser paga, neste primeiro momento, pelas distribuidoras de energia, que seriam ressarcidas quando os valores fossem repassados às contas de luz. Mas as empresas alegam não ter caixa suficiente e, por isso, em meados de março o governo anunciou um plano para socorrê-las.
Na época, o plano previa a injeção de R$ 12 bilhões no setor, sendo R$ 4 bilhões via Tesouro e R$ 8 bilhões por meio de empréstimos bancários a serem repassados às contas de luz e pagos pelos consumidores a partir de 2015. Depois, o governo elevou para R$ 12,4 bilhões a previsão de gastos e anunciou que, desse total, R$ 11,2 bilhões devem ser emprestados – a participação do Tesouro se resumiu, portanto, ao aporte de R$ 1,2 bilhão feito para cobrir os gastos de janeiro.
Até o final de 2014, os gastos das distribuidoras com as térmicas e a compra de energia no mercado à vista vai ser apurado mensalmente. Em seguida, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) vai tomar empréstimos junto a um grupo de bancos, entre eles o Banco do Brasil e a Caixa, para cobri-los.
Estiagem
Essa conta surgiu com a falta de chuvas no início de 2014, que levou a uma forte queda no armazenamento de água dos reservatórios das hidrelétricas que ficam no Sudeste e Centro Oeste – as duas regiões respondem por cerca de 70% da capacidade de geração de energia no país.
Para poupar água dessas represas, as usinas termelétricas, que geram energia por meio da queima de combustíveis como óleo e gás, passaram a funcionar a plena capacidade. Mas a energia gerada por elas é mais cara.
Além disso, a situação nos reservatórios fez disparar o valor da energia no mercado à vista. Quando, para atender aos seus consumidores, uma distribuidora consome mais energia do que a que tem sob contratos, essa diferença é paga ao preço do mercado à vista.
Racionamento
Durante a audiência pública, questionado por deputados, Carvalho Neto avaliou que “não está no momento” de o governo adotar medidas visando a redução do consumo de energia no país para evitar a necessidade de um novo racionamento nos próximos meses.
De acordo com ele, o risco de um racionamento hoje é baixo e a redução do consumo de energia levaria a uma queda na atividade econômica do país.
“Não está no momento [de o governo adotar medidas para redução do consumo de energia] por que o risco de racionamento é pequeno”, disse Carvalho Neto durante audiência pública na Câmara. “Programas de racionamento levariam à redução no nosso nível de crescimento econômico”, completou.
Empréstimo
O presidente da Eletrobras anunciou ainda que a empresa deve pegar empréstimos de cerca de R$ 6,5 bilhões. Segundo ele, a maior parte deste valor vai ser usada para fazer os investimentos programados para 2014 – uma fatia menor, disse, será usada como capital de giro.
Carvalho Neto disse ainda que os empréstimos serão captados em bancos, entre eles o BNDES.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *