Oposição anuncia painel na Câmara

O líder do DEM na Câmara, deputado Mendonça Filho (PE), disse nesta quinta-feira (8) que a oposição vai montar um painel na Casa para mostrar, à medida que forem ocorrendo, as indicações dos partidos para a CPI mista da Petrobras. A ideia é pressionar as legendas que não indicarem integrantes para a comissão como estratégia de protelar o início da CPI.

Nesta quarta, o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), determinou que os líderes partidários da Câmara e do Senado apresentem as indicações dos parlamentares que integrarão a CPI mista da Petrobras. Segundo ele, os líderes terão prazo de cinco sessões ordinárias da Câmara para fazer as indicações. Para a oposição, o prazo estipulado é uma manobra para retardar a instalação da comissão.

Parlamentares do PT não querem a CPI mista para investigar apenas a Petrobras. O partido protocolou pedido para criação de uma comissão mista que investigue também denúncias de irregularidades nos governos de São Paulo e Pernambuco, governados por partidos adversários da presidente Dilma Rousseff.

Uma estratégia que os partidos podem utilizar para postergar a instalação de uma CPI é não indicar nomes de integrantes para o colegiado.

“A oposição vai a partir de agora tornar público os partidos que indicaram [nomes] e os que não indicaram. Inclusive vai expor um painel para que a sociedade possa acompanhar. Nós temos 16 vagas nessa CPMI. Das 16 vagas, dez já foram indicadas. Aqueles partidos que não indicaram nomes, devem ser expostos publicamente , porque estão com uma tática de impedir a instalação da CPMI e que não inicie esses trabalhos”, disse Mendonça Filho.

Para Mendonça Filho, o governo e base aliada tentam confundir e dificultar aos trabalhos de investigação da Petrobras com a criação de outras CPIs. “É uma tática do governo e da bancada governista, com a criação de outras CPIs, confundir o processo de discussão e dificultar o inicio dos trabalhos com relação à apuração das denúncias relativas à Petrobras”, afirmou.

O deputado disse ainda que a criação da CPMI para investigar as denúncias do metrô de São Paulo é de cunho eleitoral e uma “espécie de vingança” da base governista, que não conseguiu impedir a Comissão Mista que vai apurar as denúncias da Petrobras. Ainda de acordo com ele, o governo estabelece uma regra de “olho por olho, dente por dente”.

“Essa outra CPMI criada para investigar metrô em São Paulo é uma resposta do governo, especificamente de cunho eleitoral. Não é uma disposição efetiva de investigar, é uma espécie de vingança. Uma vingança daqueles que representam o governo no Congresso, porque não conseguiram impedir neste momento a criação da CPMI da Petrobras, e estabelece uma regra de olho por olho, dente por dente.”

Mendonça Filho defende que a CPMI do Metrô investigue não somente o suposto cartel em São Paulo, mas também em outros estados.

“Assino a CPMI do trens se ela tiver caráter geral, amplo, não uma direção partidária. Ela precisa ter um caráter de investigar todo o processo de ‘carterização’ envolvendo os metrôs do Brasil, além de São Paulo”, declarou.

Segundo ele, a operação de uma CPI não pode ser dirigida especificamente a um grupo político. “Tem que ter como finalidade a apuração de fato específico de desvio, irregularidades, de que nesse caso, eu enxergo como uma reação da bancada governista para equilibrar uma desvantagem vista pela graves irregularidades que está se envolvendo a Petrobras”, disse.

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