E outros Charlies?

Não se viu em qualquer país uma manifestação popular de revolta quando homens do Taleban, uma das piores organizações terroristas, mataram friamente 150 crianças e professores numa escola do Paquistão, todos inocentes, que nunca ofenderem Maomé ou outra d

 

(Brasília-DF)  Mais de l,5 milhão de pessoas, juntamente com dezenas de chefes de estado e de governo de todos os continentes, encheram as ruas de Paris para um protesto gigante contra os terroristas que mataram 12 jornalistas famosos de um jornal francês. Foi talvez a maior manifestação já vista no planeta contra atos dessa natureza. Vendo aquelas imagens que dominaram e ainda dominam os noticiários da mídia internacional vale uma pergunta. Por que o mundo inteiro de revolta contra o assassinato de 12 jornalísticas se mostra indiferente diante de outras tragédias muito mais graves e apavorantes que marcaram o calendário do globo nas ultima semanas? Não se viu em qualquer país uma manifestação popular de revolta quando homens do Taleban, uma das piores organizações terroristas, mataram friamente 150 crianças e professores numa escola do Paquistão, todos inocentes, que nunca ofenderem Maomé ou outra dignidade muçulmana.

Nem se viu repudio internacional quando aquela garotinha de apenas dez anos explodiu as bombas que levava sob as vestes, matando 20 pessoas num mercado na Argélia. Nem quando os terroristas amigos de Vladimir Putin derrubaram um avião da Malásia, matando quase 200 pessoas. Quem lembra os últimos atentados no Afeganistão, na Argélia, Nigéria e até mesmo daquela bomba no metrô de Santiago do Chile, aqui pertinho da gente? Tinha razão o George Orwell quando disse,  na sua “Revolução dos Bichos”, que todos os animais são iguais, mas que há alguns que são mais iguais do que os outros. Um jornalista francês morto em Paris é mais igual do que uma criança inocente trucidada no Paquistão? Uma única voz isolada repudiou todos esses crimes bárbaros: o argentino que surpreende o mundo no trono de São Pedro. Francisco, o Papa, foi o único estadista a protestar contra todos esses crimes odientos. Como não tem exército, pediu a ajuda de quem pode interferir: Deus. Esperemos que essa ajuda venha logo. E, enquanto ela não vem, a gente fica meditando de novo sobre se 150 criancinhas paquistanesas não mereciam também um protesto de 1,5 milhão de pessoas nas ruas de algum país. São os outros Charlies.

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Nos 45

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Nos 45 minutos do segundo tempo o governador Rodrigo Rollemberg conseguiu anular a concorrência para a compra de um milhão de resmas de papel A-4 para impressoras, nos últimos dias do governo de Agnelo Queiroz, em Brasília. Menos R$ 8 milhões em gastos supérfluos.

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Apostam?

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Pelo menos 243 dos nossos congressistas receberam dinheiro das empreiteiras envolvidas no “petrolão” para as suas campanhas eleitorais. Mesmo tudo declarado ao TSE, será que a gente pode esperar alguma coisa séria de um Congresso que tem quase metade dos seus integrantes abraçados com a corrupção.

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Maldade

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O senador Roberto Requião não perde a chance de uma boa piada, mesmo que isso lhe possa custar um amigo. Sua última é a sugestão à presidente Dilma de um teste para aferia a honestidade de seus ministros. A idéia é manter, num canto discreto de sua mesa de trabalho, um relógio de ouro. Depois de cada despacho com um ministro é só verificar se a jóia permanece no lugar.

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O último?

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A nova ministra da Agricultura, senadora Kátia Abreu, garantiu, ao tomar posse, que não existem mais latifúndios no Brasil. O último deve ter sido aquele de 12 mil hectares, no Maranhão, desapropriado na semana passada pela presidente Dilma para a reforma agrária que não sai nunca, juntamente com outros 45 mil hectares em vários estados.

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por Rangel Cavalcante

email: rangelcavalcante@uol.com.br

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